Fernando Mendes: “O meu segredo passa por ser eu próprio”

Fernando Mendes

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Além de actor, a sua popularidade está associada ao sucesso de «O Preço Certo», concurso da RTP, que continua no topo das audiências. Com 37 anos de profissão, Fernando Mendes sabe bem aquilo que o seu público quer. O também apresentador entende que o segredo do seu sucesso passa por ser ele próprio. Conhecido, popularmente, por “Gordo”, Fernando Mendes não se importa que o tratem assim, pois reconhece que é com “carinho. Quanto ao balanço profissional, diz que já são já muitos anos, mas tem sido giro e gratificante e garante que o certo sempre ouviu falar da crise do teatro.

O encontro com a AIN aconteceu em pleno teatro Sá da Bandeira, no Porto, espaço que visitou com apenas cinco dias de vida. Fernando Mendes assumiu que foi graças ao seu pai, o actor Victor Mendes, que a paixão pelo teatro de revista surgiu.
Estreou-se aos 17 anos na revista «Reviravolta», ao lado de Eugénio Salvador, “um verdadeiro mestre”, Rosa do Canto e da Florbela Queirós. Tudo aconteceu no Parque Mayer, no início da década de 80. Desde essa altura, Fernando Mendes nunca mais parou, e o seu primeiro programa de televisão surge em 1983, no «Foguete». Acrescenta que sempre foi o “Eugénio Salvador lá de casa” e a representação esteve sempre presente.Mas, antes de ser actor, começou por engraxar sapatos e pregar pregos, só depois surgiu a oportunidade de ir fazendo pequenas coisas na arte de representar.
Conheça mais e melhor o ator nesta entrevista.

AIN-Qual é na verdade o grande segredo do Fernando Mendes?
Fernando Mendes – Acho que é ser como sou. É evidente que tenho as minhas personagens, os meus bonecos, mudar de roupa, mudar de peça, de visual, de cabeleira, mas levo sempre para cada personagem um bocadinho de mim próprio, e acho que isso é importante. Sinto que entro no palco e que as pessoas gostam de mim e isso é logo 40 por cento de ganho mais os outros 60 de trabalho, que é importante (risos).

Teatro Sá da Bandeira, no Porto. Uma sala de espetaculos que lhe diz muito…
Tem toda a razão. Sempre que cá venho é um motivo de grande satisfação, pois o público no Porto é extraordinário e, de uma forma geral, o Norte. Estamos cá até dia 28, com «Noivo por Acaso», e tem sido um regresso muito agradável. Já venho cá há mais de 30 e é sempre um motivo de grande satisfação estar aqui e, mais uma vez, a fazer um grande espetáculo neste teatro.

Qual é a grande magia desta sala?
É uma sala muito própria, com um significado muito grande e com uma história teatral muito rica. Já passaram por aqui grandes atores, como o António Silva e agora os atores de uma geração mais recente. Basta ver as imagens que ele ainda tem patente e as placas de homenagem, na entrada do teatro.

Mas qual é a grande memória que tem deste Teatro?
Muitas memórias e é dificil falar de todas elas. O meu pai trabalhou cá muitos anos e quando eu nasci o meu pai estava no Sá da Bandeira com uma peça. Entrei neste Teatro com cerca de cinco dias de vida, pois a minha mãe veio mostrar-me ao meu pai dentro da alcofa e não vinha em pé vinha deitado(risos). Muito mais tarde, comecei a ver espetáculos do meu Pai neste Teatro e, anos depois, vim já em tournée para este Teatro e nunca mais parei.

Mas o público do Porto é especial como dizem?
O público do Porto gosta muito de teatro, seja comédia ou revista e, portanto, é um público fiel ao teatro e até acaba por ser difícil de explicar isso. De uma coisa os atores têm uma certeza: se não gostarem do que estão a ver, dizem logo que não gostam, e, quando gostam, manifestam-se muito com os aplausos, ficam até ao fim para tirar fotografias, pedem autógrafos… Isso é um sinal muito agradável de que as coisas estão a correr bem.

37 anos a fazer rir os Portugueses. É fácil?
Não é fácil fazer rir. O Porto é sempre um grande teste para os atores, pelas razões que expliquei anteriormente. É evidente que já sei onde é que o público vai rir, como devo mandar uma piada para se rirem e isso acontece em várias classes sociais e idades diversas.

Numa altura em que se fala tanto de crise, este espetáculo é uma mais valia, para dar, temporariamente, volta a isso?
Eu acho que sim, e isso vê-se no riso, nos aplausos, o que permite às pessoas esquecerem um bocado as notícias tristes que ouvem e lêem, e nós tentamos que as as pessoas esqueçam durante duas horas um bocadinho essa crise. Aliás, o teatro também ajuda muito, pelo menos o mais cómico, ajuda a que as pessoas esqueçam um bocado a crise.

Mas qual é a sua grande personagem?
Não sei. Nunca tive uma grande personagem, penso sempre que gostaria e deveria fazer uma grande personagem, mas as coisas foram acontecendo. Felizmente, tive sempre trabalho em televisão, no teatro, mas pode ser que um dia pense e diga que esta é a grande personagem do Fernando Mendes.

Fotos: Hugo Viegas

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