Dulce Pontes: “Não preciso de provar nada a ninguém, muito menos a mim própria”

Dulce Pontes

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O Porto soube receber uma das maiores vozes de sempre da música portuguesa. Dulce Pontes subiu, ontem, ao Palco do Coliseu do Porto para apresentar as canções do seu mais recente álbum, “Peregrinação”, constituído por dois CD e que inclui inéditos de autoria da intérprete, recriações do repertório de Amália Rodrigues e canções em espanhol. Pouco depois da hora marcada, a cantora entra em palco e é recebida num mar de aplausos que logo agradece: obrigado por terem vindo”. Começou por interpretar sentada ao piano o tema Grito, La Boheme , Nevoeiro e Ondeia.Só ao fim das primeiras músicas tocadas ao piano é que o público entrou verdadeiramente no estilo da cantora. Aplaudida de pé várias vezes Dulce Pontes agradeceu os aplausos e soltou várias vezes beijos de vento agradecendo o carinho que ali era demonstrado. Entre uma sala composta, destacaram-se várias personalidades, como a presença do poeta portuense Pedro Mello. Antes de subir ao palco, a cantora falou com a reportagem da AIN e garante que, ao fim de todos estes anos, não precisa de provar nada a ninguém, muito menos a ela própria.

Agência de Informação Norte – Sabemos que palco do Coliseu do Porto tem um sabor especial para si. De que forma decorreram os preparativos para este grande concerto?

Dulce Pontes – O concerto “Peregrinação” tem sido apresentado consecutivamente ao longo
de 5 anos nos mais variados palcos. Vão acontecendo mutações, o repertório é muito amplo, o que me permite muita liberdade e a fuga habitual à repetição de um determinado “modelo” de espectáculo.

O público do Norte é, como dizem, exigente?

Parto do princípio de que todos os públicos são e devem ser exigentes. Não existe ninguém mais exigente para comigo do que eu própria.


Posso concluir que este concerto é uma viagem e não um desfilar de canções?

Pode. Este concerto não é um desfilar de canções. É, antes, uma viagem através de diferentes estados de alma que se interconectam entre si.

Há quantos anos anda a preparar esta “Peregrinação”?

Antes de gravar, experimento os temas e o conceito dos mesmos nos concertos. Dá-me muito prazer constatar que existe abertura de espírito por parte do público.

Há quantos anos?

7 a chegar pertinho dos 8.

Mas não é uma mulher religiosa…

Não me encaixo em nenhuma religião mas tenho fé. Acredito em Deus, Jesus, Maria.

Qual a melhor forma de explicar esta Peregrinação?

Caminho em nudez… no sentido de tocar uma partícula de infinito. Vida.

Este disco é a continuidade de algum disco anterior?

Não.

Tem canções originais da Dulce?

Tem em grande número.

Um disco gravado entre Portugal e a Argentina…

E Espanha e Itália também.

O que verificamos é que a Dulce não tem um género musical definido. Não gosta de ser uma artista catalogada, é isso?

Olá, sou a Dulce Pontes. (risos)

Oito anos sem gravar. Este interregno também foi importante?

Durante o que chama de interregno, os temas foram sendo tocados ao vivo nos concertos. Gosto de os maturar dessa forma antes de os gravar em definitivo.

Esteve afastada durante algum tempo dos palcos nacionais. Sempre trabalhou mais fora do que Portugal. Espanha parece ser o país que mais a acolheu como cantora e reconhece o seu talento. O certo é que a Dulce sempre viveu e vive em Portugal…

Desde há 7 anos para cá, em Bragança, mais especificamente.

Disse numa entrevista: “Se dependesse de Portugal, há muitos anos que eu já não cantava”. Esse afastamento dos palcos nacionais foi simplesmente porque não lhe marcavam concertos?

Não existiu afastamento nem da minha parte nem por parte de uma percentagem muito significativa de público que me segue, independentemente, de campanhas de marketing. Temos de viver, é isso. Para mais, tenho 2 filhos e o pão de cada dia não cai do céu.

Os concertos esgotados foram uma prova que os portugueses estavam com
saudades suas?

Não preciso de provar nada a ninguém, muito menos a mim própria. A minha entrega é igual. Claro que estou habituada a cantar para salas esgotadas, mas tenho como princípio não esperar nada e dar tudo. Dessa forma nunca me desiludo.

Além de cantar continua a compor, tocar e a produzir o seu trabalho…

Sim, sempre com excelentes parceiros, como é, neste caso em concreto, o António Pinheiro da Silva.

Os músicos e a equipa é a mesma que a tem acompanhado nos últimos anos?
Sim.

Tem feito muitos duetos, principalmente com músicos internacionais. Desta
nova geração de cantores portugueses com quem gostava de fazer um dueto?

Já fiz e voltaremos a fazer, com o FF.

Tem actuado em vários países. Encontra muitas diferenças na forma como esses países recebem os artistas?
Não.

Mas Portugal sabe respeitar os seus artistas?

Claro que sabe.

Posso concluir que a década de 90 foi a década de ouro da sua carreira?

Não sei,… ainda não morri! (risos)

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